Comparação entre quatro diferentes critérios de diagnóstico de síndrome metabólica em indivíduos do Arquipélago do Marajó (Pará, Brasil).

Iberê Pinheiro do Monte, Sérgio Lobato França, Raimundo Nonato Oliveira de Vasconcelos, José Ricardo dos Santos Vieira

Resumo


Objetivo: A síndrome metabólica possui vários critérios diagnósticos que variam de acordo com os grupos de estudos internacionais. Método: Este estudo foi desenhado para comparar o desempenho dos critérios de determinação do risco para síndrome metabólica estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, do Programa Nacional de Educação para o Tabagismo, do Painel de Tratamento de Adultos III (NCEP-ATP III), do Grupo Europeu para o Estudo da Resistência à Insulina (EGIR) e da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Um total de 787 indivíduos do Arquipélago de Marajó, região amazônica do estado do Pará, foram selecionados aleatoriamente e agrupados por gênero e em três diferentes faixas etárias. A prevalência de síndrome metabólica foi estimada pela análise da glicemia em jejum ou diagnóstico clínico-laboratorial de diabetes mellitus, além da presença de obesidade, hipertensão e hipertrigliceridemia. Resultados: Os resultados mostraram que a prevalência de síndrome metabólica pelos critérios OMS (4,1%) e EGIR (9,7%) foi menos inclusiva, revelando cerca de dez vezes menos portadores da síndrome que os identificados pelos critérios IDF (37,1%) e NCEP-ATPIII (29,9%). Os critérios IDF e NCEP-ATPIII mostraram a maior taxa de concordância e foram os mais rigorosos nesta análise populacional. Conclusões: Para o diagnóstico de síndrome metabólica calculada a partir de hiperglicemia e não diabetes mellitus, os critérios IDF e NCEP-ATPIII devem ser aplicados preferencialmente, pois produzem resultados mais concordantes e adequados para estudos populacionais em larga escala, nos quais o diagnóstico clínico é de difícil implementação.

Palavras-chave


síndrome metabólica; critérios de diagnóstico; arquipélago do Marajó

Texto completo:

PDF

Referências


Isomaa B, Almgren P, Tuomi T, Forsén B, Lahti K, Nissén M, Taskinen MR, Groop L. Cardiovascular morbidity and mortality associated with the metabolic syndrome. Diabetes Care 2001;24:683-9

Lakka HM, Laaksonen DE, Lakka TA, Niskanem LK, Kumpusalo E, Tuomilehto J et al. The metabolic syndrome and total and cardiovascular disease mortality in middle-aged men. JAMA, v. 288, p. 2709–2716, 2002.

Brandão AP, Brandão AA, Nogueira AR, Suplicy H, Guimarães JI, Oliveira JEP et al. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 84, Suplemento I, Abril 2005 http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2005/sindromemetabolica.asp

Frankenberg ADV, Reis AF, Gerchman F. Relationships between adiponectin levels, the metabolic syndrome, and type 2 diabetes: a literature review. Arch Endocrinol Metab. 2017 Dec;61(6):614-622. doi: 10.1590/2359-3997000000316.

World Health Organization. Definition, diagnosis and classification of diabetes mellitus and its complications. Geneve: WHO; 1999. Report of a WHO consultation.

Freitas ED, Fernandes AC, Mendes LL, Pimenta AM, Velásquez-Meléndez G. Revista Mineira de Enfermagem. Vol.12.3. 2008. Síndrome metabólica: uma revisão dos critérios de diagnóstico. Rev Min Enferm., 12(3):403-411, 2008.

The European Group for the Study of Insulin Resistance (EGIR). Frequency of the Metabolic Syndrome in European cohorts, and an alternative definition of an Insulin Resistance Syndrome. Diabetes Metab. 2002; 28:364-76.

Executive summary of the Third Report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) Expert Panel on Detection, Evaluation and Treatment Of High Blood Cholesterol in Adults (Adult Treatment Panel III). JAMA. 2001; 285: 2486-97.

Einhorn D, Reaven GM, Cobin RH, Ford E, Ganda OP, Handelsman Y, et al. American College of Endocrinology position statement on the insulin resistance syndrome. Endocrinol Pract. 2003; 9: 237-52.

Ogedengbe, OS, Ezeani, IU. Metabolic syndrome: Performance of five different diagnostic criterias. Indian Journal of Endocrinology and Metabolism. Vol.18. 2014.

International Diabetes Federation. The IDF consensus worldwide definition of the Metabolic Syndrome. Disponível em: http://www.idf.org/webdata/docs/IDF_Metasyndrome_ definition.pdf (Acessado em 15/Set/2018).

Alberti KG, Eckel RH, Grundy SM, Zimmet PZ, Cleeman JI, Donato KA, et al. Harmonizing the Meta- bolic Syndrome: A joint Interim Statement of the International Diabetes Federation Task Force on Epi- demiology and Prevention; National Heart, Lung, and Blood Institute; American Heart Association; World Heart Federation; International Atherosclerosis Society; and International Association for the Study of Obesity. Circulation. 2009; 120: 1640–1645. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.109.192644 PMID: 19805654

Yamagishi K, Iso H. The criteria for metabolic syndrome and the national health screening and education system in Japan. Epidemiol Health. 2017 Jan 6;39:e2017003. doi: 10.4178/epih.e2017003. eCollection 2017.

França SL, Lima SS, Vieira JRS. Metabolic Syndrome and Associated Factors in Adults of the Amazon Region. PLoS ONE 11(12): e0167320. doi:10.1371/journal.pone.0167320.

Grundy MS. Metabolic syndrome pandemic. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2008; 28:629-36.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. --São Paulo : Editora Clannad, 2017.

Oliveira JS, Boery RNSO. An integrative review of associations between polymorphic variants and the metabolic syndrome. J Vasc Bras. 2018 Apr-Jun;17(2):141-147. doi: 10.1590/1677-5449.007917.

Reinehr T, de Sousa G, Toschke AM, Andler W. Comparison of metabolic syndrome prevalence using eight different definitions: a critical approach. Arch Dis Child. 2007;92:1067-72

Ayres AM, Ayres-Jr AM, Ayres DL, Santos AS. BioEstat 5.0: aplicações estatísticas nas áreas de ciências biológicas e médicas. Belém: Sociedade Civil Mamirauá, 2007.

Dean AG, Arner TG, Sunki GG, Friedman R, Lantinga M, Sangam S, Zubieta JC, Sullivan KM, Brendel KA, Gao Z, Fontaine N, Shu M, Fuller G, Smith DC, Nitschke DA, Fagan RF. Epi Info™, a data base and statistics program for public health professionals. CDC, Atlanta, GA, USA, 2011.

Barrio-Lopez MT, Bes-Rastrollo M, Beunza JJ, Fernandez-Montero A, Garcia-Lopez M, Martinez-Gonzalez MA. Validation of metabolic syndrome using medical records in the SUN cohort. BMC Public Health. 2011 Nov 15;11:867. doi: 10.1186/1471-2458-11-867.

Cavali M, Escrivão MA, Brasileiro RS, Taddei JA. Metabolic syndrome: comparison of diagnosis criteria. J Pediatr (Rio J). 2010; 86:325-30.

Gronner MF, Bosi PL, Carvalho AM, Casale G, Contrera D, Pereira MA, Diogo TM, Torquato MT, Souza GM, Oishi J, Leal AM. Prevalence of metabolici syndrome and its association with educational inequalities among Brazilian adults: a population-based study. Braz J Med Biological Res 44(7) 2011.

Alexander CM, Landsman PB, Teutsch SM, Haffner SM. NCEP-defined metabolic syndrome, diabetes and prevalence of coronary heart disease among NHANES III participants age 50 years and older. Diabetes, vol. 52, no. 5, pp. 1210-1214, 2003.

Chackrewarthy S, Gunasekera D, Pathmeswaren A, Wijekoon CN, Ranawaka UK, Kato N, Takeuchi F, Wickremasinghe AR. A Comparison between Revised NCEP ATP III and IDF Definitions in Diagnosing Metabolic Syndrome in an Urban Sri Lankan Population: The Ragama Health Study. ISRN Endocrinology, Volume 2013, Article ID 320176. http://dx.doi.org/10.1155/2013/320176.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Revista da Associação Brasileira de Nutrição - RASBRAN