Prevalência e gravidade da perda ponderal em pacientes com câncer

Cristina Oliveira da silva, Simone Bernardes

Resumo


Objetivo: Identificar a prevalência e a severidade da perda ponderal involuntária (PPI) em pacientes portadores de tumores malignos, e fatores clínicos e terapêuticos associados. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com 70 pacientes oncológicos assistidos pela Liga Feminina de Combate ao Câncer de Novo Hamburgo (LFCC/NH) (RS), com idade >18 anos, de ambos os gêneros. As informações clínicas foram obtidas por meio da aplicação de um questionário estruturado. O peso atual e a altura foram medidos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Universidade Feevale (RS). Resultados: A idade média dos pacientes foi de 58,4 ± 12,8 anos, com maior proporção do gênero feminino (52,9%). A PPI foi verificada em 82,9% dos casos, com percentual mediano de 18,2% (Intervalo de Confiança - IC95%: 11,1 – 28,1), sendo a perda grave a mais prevalente (58,6%). A PPI foi significativamente maior entre os homens comparativamente às mulheres (81,8% vs 54,1%; p=0,027), e nos indivíduos portadores de tumores do aparelho digestivo (90%), cabeça e pescoço (78,9%) e aparelho reprodutor masculino (66,7%) (p< 0,001). Conclusão: Observou-se uma elevada prevalência de PPI entre os pacientes com câncer, com predomínio de perda grave. Assim, o reconhecimento precoce do risco nutricional é fundamental a esse grupo, de forma que a dieta prescrita possa minimizar os efeitos catabólicos da doença.

Palavras-chave


Perda de peso; Estado nutricional; Neoplasias; PERDA DE PESO; TUMORES MALIGNOS; ADOLESCENTE; METABOLISMO; ESTADO NUTRICIONAL

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