Restrição de glúten e caseína em pacientes com transtorno do espectro autista

Yara Rodrigues Amaro Pimentel, Camila Teodoro Rezende Picinin, Daniele Caroline Faria Moreira, Érika Aparecida Azevedo Pereira, Marco Antônio Olavo Pereira, Brunna Sullara Vilela

Resumo


O transtorno do espectro autista interrompe processos normais de desenvolvimento social, cognitivo e comunicativo, manifestando-se normalmente até os três anos de idade e prevalência no sexo masculino. Estudos buscam fatores que possam contribuir para a redução da manifestação de sintomas ou características especificas. O principal objetivo foi avaliar a presença de alterações comportamentais e sintomas de distúrbios gastrointestinais em decorrência da restrição de glúten e caseína em portadores do autismo. O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário do Sul de Minas e realizado na Fundação Varginhense de Assistência de Excepcionais em Varginha - Minas Gerais, no segundo semestre de 2015. Foram avaliados 8 autistas com idade entre 2 e 25 anos. Após orientação aos pais, houve intervenção dietética, sugerindo a restrição da caseína por 4 semanas e posteriormente do glúten por 7 semanas, totalizando 11 semanas de restrição. Todos os voluntários apresentaram melhora em pelo menos um dos sintomas característicos do transtorno. O sintoma que apresentou maior evolução foi a agressividade em 62,5% (n=5), seguido da estereotipia em 50% (n=4) dos voluntários (p = 0,01). Com relação aos sintomas gastrointestinais, quatro mães relataram melhora após restrição do glúten e caseína. Em conclusão, observou-se que a restrição dessas proteínas gera melhora dos sintomas apresentados que pode impactar na qualidade de vida dos indivíduos com o transtorno do espectro autista. No entanto, mais estudos randomizados, controlados, com cálculo amostral são necessários para confirmar os efeitos dessa dieta.


Palavras-chave


Autismo; Glúten; Caseína

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