Constipação intestinal e fatores associados em pacientes internados em um hospital universitário

Resumo

Introdução: A constipação é um distúrbio no trato gastrointestinal determinado pela dificuldade e/ou rara eliminação das fezes. Sua etiologia é multifatorial e o hábito alimentar inadequado é fator de risco. Objetivo: Avaliar a prevalência de constipação intestinal e verificar o conhecimento sobre fibras alimentares e os hábitos de vida relacionados em pacientes com constipação e sem constipação segundo o critério Roma III. Metodologia: Estudo transversal e descritivo. Coletaram-se dados socioeconômicos, clínicos e aplicou-se um questionário sobre o consumo alimentar, hábitos de vida e conhecimento sobre prevenção e tratamento da constipação intestinal. A constipação intestinal foi definida de acordo com o consenso de ROMA III. Os resultados foram comparados pelo teste Qui-quadrado, ajustado pela correção de Bonferroni, adotando nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de constipação auto-referida foi de 30% e de 33% pelo critério ROMA III. O uso de recursos caseiros para constipação foi mencionado por 55,3% dos constipados e 29,2% dos não constipados. Indivíduos não constipados apresentaram maior conhecimento sobre alimentos fontes de lactobacillus. Sobre o consumo de água, 13,2% dos constipados e 31,8% dos não constipados ingerem mais que oito copos por dia (p=0,02). Quanto aos medicamentos e recursos dietéticos para o auxílio da constipação, os constipados consistem no grupo que mais os consumiu (p<0,05). Conclusão: Foram observadas diferenças entre os hábitos e o conhecimento sobre alimentação entre constipados e não constipados. Avaliar a prevalência de constipação intestinal e fatores associados é fundamental para auxiliar no tratamento e na prevenção da mesma.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Priscila Moreira de Lima Pereira, Universidade Federal de Juiz de Fora
Possui graduação em Nutrição (Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF), especialização em Saúde Pública (Centro Universitário Internacional - UNINTER), especialização em Nefrologia Multidisciplinar (Universidade Federal do Maranhão - UFMA) e mestrado em Saúde Coletiva (UFJF). Atuou como professora substituta no departamento de Nutrição da UFJF e nutricionista do programa HIPERDIA no Instituto Mineiro de Ensino e Pesquisa em Nefrologia (IMEPEN), na Agência de Cooperação Intermunicial em Saúde Pé da Serra (ACISPES) e no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Atualmente é doutoranda em Saúde Coletiva (UFJF). Tem experiência na área de nutrição e saúde coletiva, com ênfase em análise nutricional de populações, atuando principalmente nos seguintes temas: transtornos alimentares, composição corporal, nutrição na maturidade, nefrologia e doenças crônicas não transmissíveis.

Referências

Forootan M, Bagheri N, Darvishi M. Chronic constipation: A review of literature. Medicine (Baltimore). 2018;97(20):e10631.

Nanji KS, Ahmed B, Awan S, Qidwai W, Hamid S. Fiber and bulking agents for the treatment of chronic constipation. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 2. Art. No.: CD009656. DOI: 10.1002/14651858.CD009656.

Trisóglio C, Marchi CMG, Torres US, Netinho JG. Prevalência de constipação intestinal entre estudantes de medicina de uma instituição no Noroeste Paulista. Rev bras. colo-proctol. 2010; 30 (2): 203-9.

Longstreth GF, Thompson WG, Chey WD, Houghton LA, Mearin F, Spiller RC. Functional bowel disorders. Gastroenterology. 2006; 130 (5):1480–91.

Yang J, Wang HP, Zhou L, Xu CF. Effect of dietary fiber on constipation: a meta analysis. World J Gastroenterol. 2012;18(48):7378-83.

Slavin JL. Position of the American Dietetic Association. J Am Diet Assoc. 2008; 108: 1716-31.

Collete V L, Araújo CL, Madruga SW. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007. Cad. Saúde Pública. 2010; 26 (7): 1391-1402.

Carneiro, RCMS , Antunes MD , Abiko RH. Et al. Constipação intestinal em idosos e sua associação com fatores físicos, nutricionais e cognitivos- Aletheia v.51, n.1-2, p.117-130, jan./dez. 2018.

Vigitel Brasil 2017: Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2017. Brasília: MS; 2018.

Martinho CAC. Estudo sobre o conhecimento da população portuguesa acerca de fibras alimentares [dissertação]. Instituto Politécnico de Viseu; 2011.

Santos CC, Stuchi RAG, Arreguy-Sena C, Pinto NAVD. A Influência da televisão nos hábitos, costumes e comportamento alimentar. Cogitare Enferm.17(1):65-71, 2012.

Sobral CC, Bezerra CP, Spanholi IR.et al. A importância do uso racional de medicamentos. FACIDER Revista Científica, Colider, n. 11, 2018.

Ojetti V, Ianiro G, Tortora A, D‘Angelo G, Di Rienzo TA, Bibbò S et al. The effect of Lactobacillus reuteri supplementation in adults with chronic functional constipation: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Gastrointestin Liver Dis. 2014; 23 (4): 387-91.

Yoon JY, Cha JM,Oh JK.et al. Pobiotics Ameliorate Stool Consistency in Patients with Chronic Constipation: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Study. Digestive Diseases and sciences, 2018.

Holscher HD. Dietary fiber and prebiotics and the gastrointestinal microbiota. Gut Microbes. 2017;8(2):172-184.

Almaraz RS, Fuentes MM, Milla SP, Plaza BL, López LMB, Candela CG. Indicaciones de diferentes tipos de fibra en distintas patologias. Nutr Hosp. 2015; 31 (6):2372-83.

SOBRADO, CW. et al . Diagnosis and treatment of constipation: a clinical update based on the Rome IV criteria. J. Coloproctol. (Rio J.), Rio de Janeiro , v. 38, n. 2, p. 137-144,June/2018.Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-93632018000200137&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Mar. 2019. http://dx.doi.org/10.1016/j.jcol.2018.02.003.

Markland AD, Palsson O, Goode PS, Burgio KL, Busby-Whitehead J, Whitehead WE. Association of Low Dietary Intake of Fiber and Liquids with Constipation: Evidence from the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES). The American journal of gastroenterology. 2013; 108 (5): 796-803.

Klaus JH, Nardin V, Paludo J, Scherer F, Dal Bosco SM. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal em idosos residentes em instituições de longa permanência. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol, 2015; 18(4): 835-43.

HO K-S, Tan CYM, Daud MAM, Seow-Choen F. Stopping or reducing dietary fiber intake reduces constipation and its associated symptoms. World J Gastroenter. 2012;18(33): 4593-96.

Machado WM, Capelari SM. Avaliação da eficácia e do grau de adesão ao uso prolongado de fibra dietética no tratamento da constipação intestinal funcional. Rev. Nutr. 2010; 23 (2): 231-8.

Salmean YA, Zello GA, Dahl WJ. Foods with added fiber improve stool frequency in individuals with chronic kidney disease with no impact on appetite or overall quality of life. BMC Research Notes. 2013; 6:510.

Greenwood-Van Meerveld B, Johnson AC, Grundy D. Gastrointestinal physiology and function. Handb Exp Pharmacol. 2017.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2017-2018. São Paulo : Editora Clannad, 2017.

Andresen V, Layer P. Medical Therapy of Constipation: Current Standard and Beyond. S. Karger GmbH, Freiburg. 2018

Publicado
2020-10-13
Como Citar
Silva, A. K. L. C. P. da, Pereira, P. M. de L., Seixas, T. B., & Percegoni, N. (2020). Constipação intestinal e fatores associados em pacientes internados em um hospital universitário. Revista Da Associação Brasileira De Nutrição - RASBRAN, 11(1), 72-85. https://doi.org/10.47320/rasbran.2020.1753
Seção
Artigos Originais